Congelamento de óvulos: prós e contras na hora da decisão

Gravidez

Muitas mulheres atualmente têm postergado a maternidade para se dedicar aos estudos e carreira profissional. Uma opção cada vez mais comum para aquelas que ainda alimentam o sonho de ser mãe numa fase mais tardia é o congelamento de seus óvulos, realizado com técnicas de reprodução assistida. Embora essa alternativa seja cada vez mais popular, trata-se de uma decisão importante e que deve ser muito bem avaliada, pois, além do alto custo, a gravidez nem sempre é garantida.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, Mario Cavagna, diretor do Centro de Reprodução Humana do Hospital Pérola Byington, em São Paulo, os melhores resultados são obtidos com o congelamento dos óvulos até os 35 anos de idade. “Entre 36 e 39 anos, o procedimento pode ser realizado, porém as mulheres têm que ser informadas de que os resultados já começam a ser menos favoráveis”, explica. Ele salienta que a partir de 40 ano, as indicações são excepcionais, e a partir de 44 anos, o procedimento deve ser formalmente contraindicado.

Para Cavagna, os motivos principais que levam as mulheres a optar pelo congelamento de seus óvulos são, principalmente, a falta de uma relação estável e a postergação do desejo de maternidade por motivos profissionais ou outras prioridades pessoais que seriam prejudicadas por uma gravidez no momento atual. O especialista enfatiza, no entanto, que as mulheres devem ser informadas sobre todos os aspectos relacionados à fertilidade e devem ter autonomia para decidir de modo consciente como será seu futuro reprodutivo. “O congelamento de óvulos é uma boa opção para muitas mulheres, mas ainda não substitui, em eficácia, a gravidez em uma idade mais jovem”, garante o médico.

Mudança de comportamento
Na opinião de Newton Eduardo Busso, diretor da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) e presidente da Comissão Nacional de Reprodução Humana da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), a opção pelo congelamento dos óvulos reflete uma mudança de comportamento feminino desde o fim do século passado. “A mulher passou a ter outras prioridades, como a formação acadêmica, profissional e inserção no mercado de trabalho, colocando a maternidade numa fase mais tardia de sua vida”, diz.

Paralelamente, ele diz que relações estáveis que permitam incluir a maternidade nos planos da mulher também acontecem mais tarde, o que gera alguma insegurança quanto à possibilidade de uma gestação. “Conflitos emocionais decorrentes da decisão de adiar a maternidade são frequentes, como o complexo de culpa por não ter tido filhos antes, agravado pelo risco de talvez não poder mais tê-los”, explica o especialista. Ele enfatiza que a procura por congelamento de óvulos também ficou mais frequente porque as técnicas para este procedimento melhoraram, permitindo chances reais para uma gravidez futura.

Vantagens e resultados
Segundo Busso, os prós desta decisão se devem pelo fato de o congelamento permitir a tentativa de uma gestação alguns anos mais tarde com óvulos mais “jovens” em eventuais tratamentos de fertilização in vitro. “A desvantagem ficaria por conta de riscos (pequenos) do tratamento e de, caso a mulher tenha um parceiro e consiga uma gestação natural, ter feito um procedimento desnecessário”, explica.

Quanto às taxas de gravidez a partir de óvulos congelados, o ginecologista afirma que elas dependem essencialmente da idade com que a mulher se submeteu ao procedimento e do número de óvulos congelados. “Lembrando que congelar óvulos não é garantia de uma gravidez no futuro”, avisa.

Cavagna bate na mesma tecla. Ele revela que as modernas técnicas de criopreservação, como a vitrificação, por exemplo, permitem ótimos resultados: estima-se que com cerca de 15 óvulos congelados até 35 anos, as possibilidades de se obter um nascimento de um bebê saudável sejam muito altas. “Entretanto, não podemos garantir que a gravidez ocorrerá. A biologia não acompanhou a evolução social da mulher e quando dizemos que a idade ideal para uma primeira gravidez seria entre 20 e 22 anos de idade, estamos falando um absurdo do ponto de vista social, mas uma verdade do ponto de vista biológico”, finaliza.

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